São quase invisíveis na rotina das compras. Estão ali, ao lado da fruta e legumes, prontos a usar. Leves, finos, transparentes. Mas têm os dias contados.
Os sacos de plástico ultraleves vão desaparecer dos supermercados portugueses já no início de 2027. A decisão foi confirmada pelo Governo e faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir o plástico descartável e incentivar soluções reutilizáveis.
Mas o que significa isto na prática? Vamos ter de pagar mais? Que alternativas existem? Explicamos tudo.
Quando é que a mudança entra em vigor?
A data-limite está definida: 1 de janeiro de 2027.
Até lá, haverá um período de transição para:
- Permitir aos supermercados escoar stocks;
- Ajustar contratos e logística;
- Garantir que existem alternativas viáveis no mercado;
- Dar tempo aos consumidores para se adaptarem.
Porque é que estes sacos são um problema?
Apesar de pequenos, o impacto é grande.
Os sacos ultraleves:
- Têm menos de 15 micrómetros de espessura;
- Têm elevado potencial de dispersão no ambiente;
- Demoram décadas a decompor-se.
Todos os anos, toneladas acabam em aterros ou no meio natural.
Portugal já conseguiu reduzir drasticamente o consumo de sacos de plástico leves pagos desde 2015 — e é hoje um dos países europeus com menor consumo per capita. O próximo passo é atuar sobre os ultraleves.
Que alternativas vão surgir?
Ainda não foi anunciado oficialmente qual será o modelo definitivo que substituirá os sacos transparentes, mas as soluções já estão a ser testadas.
Entre as alternativas mais comuns estão:
- Sacos reutilizáveis em algodão ou algodão reciclado;
- Redes reutilizáveis leves e laváveis;
- Sacos em plástico reciclado mais espesso, pensados para várias utilizações;
- Algumas opções biodegradáveis (embora o foco principal seja a reutilização).
A lógica é simples: usar muitas vezes em vez de usar uma única vez.
Vamos ter de pagar pelos novos sacos?
É provável que sim — pelo menos fora de uma eventual fase inicial de transição.
Atualmente, já existem opções reutilizáveis à venda nos supermercados, com preços que variam consoante o material:
- Cerca de 0,25€ por unidade em material sintético reciclado;
- Aproximadamente 0,49€ por conjuntos reutilizáveis;
- Entre 1€ e 1,50€ para opções em algodão reciclado.
Ao contrário dos sacos ultrafinos, estes não são descartáveis. A ideia é que o investimento inicial se dilua ao longo do tempo.
O que podes fazer já?
Não é preciso esperar por 2027 para mudar hábitos. Aliás, quanto mais cedo começares, mais simples será a transição.
Algumas dicas práticas:
- Cria o hábito de ter sempre sacos reutilizáveis contigo. No carro, na mochila ou na mala.
- Usa redes leves para frutas e legumes. São laváveis, ocupam pouco espaço e duram bastante.
- Compra apenas a quantidade necessária. Reduzir o desperdício alimentar também faz parte da equação.
- Quando possível, transporta alguns produtos soltos. Nem tudo precisa de saco.
- Aproveita os sacos reutilizáveis que já tens em casa.
- Não é preciso comprar novos se já existem alternativas disponíveis.
Uma pequena mudança com impacto real
Os sacos ultraleves tornaram-se comuns nos anos 90, com a expansão das grandes superfícies. Hoje parecem indispensáveis. Mas não são.
Tal como aconteceu com os sacos pagos nas caixas, a mudança pode causar estranheza no início. Depois torna-se hábito.
A eliminação prevista para 2027 representa mais um passo na redução do plástico descartável em Portugal. No fim de contas, trata-se de algo simples: trocar o descartável pelo reutilizável e isso pode começar já na próxima ida ao supermercado!




