Nos últimos anos, Portugal tem dado passos importantes na gestão dos resíduos urbanos. Há mais ecopontos, sistemas complementares de recolha seletiva e um investimento crescente para modernizar todo o setor. Ainda assim, os números mostram que ainda não estamos a reciclar corretamente os diferentes resíduos domésticos e com a frequência necessária: há espaço para fazer mais e melhor, e todos temos de fazer a nossa parte.
Segundo o Relatório Anual de Resíduos Urbanos (RARU 2024), 75% dos resíduos urbanos continuam a ser recolhidos de forma indiferenciada. Isso significa que a maioria do que produzimos nas nossas casas acaba por não ser valorizado, perdendo-se recursos que poderiam voltar ao ciclo produtivo.
Portugal ainda envia para aterro cerca de 54% dos resíduos urbanos, um número elevado face à meta europeia que impõe reduzir essa percentagem para 10% até 2035. E há um dado que reforça a urgência: nove dos 35 aterros nacionais poderão atingir a sua capacidade máxima nos próximos dois anos.
Estes números não são apenas estatísticas, mostram como o nosso comportamento tem impacto direto no país e no planeta de amanhã.
Em Portugal, desde 2024, a recolha de biorresíduos— restos de comida, cascas de frutas e legumes, aparas de relva ou folhas secas — é obrigatória para todos os municípios. Esta medida é essencial: estes resíduos representam cerca de 40% do lixo urbano. Quando são corretamente separados e tratados, podem ser transformados em composto orgânico ou energia, contribuindo para reduzir emissões e para uma economia mais circular.
O que já existe — e que podemos usar melhor
Reciclar mais e melhor não exige grandes mudanças na rotina: basta usar corretamente os sistemas já disponíveis.
- Ecopontos: Estão por todo o país e são a forma mais direta de contribuir.
- Amarelo: embalagens de plástico e metal
- Azul: embalagens de papel e cartão
- Verde: embalagens de vidro
- Biorresíduos: Se tens um contentor castanho na tua área, faz a separação dos resíduos alimentares.
- Monos: Móveis, colchões, eletrodomésticos e outros objetos volumosos não devem ser deixados simplesmente junto aos contentores. A maioria dos municípios disponibiliza serviços gratuitos de recolha, bastando agendar por telefone ou online.
- Têxteis: A roupa e o calçado usados também podem ter uma nova vida. Existem contentores próprios para têxteis e associações que fazem a recolha para reutilização ou reciclagem.
A importância de reciclar: mais do que um gesto ambiental
Reciclar não é apenas uma questão ambiental, é também uma questão económica e social. Por exemplo, estima-se que ainda se percam, anualmente, cerca de 34 milhões de euros em embalagens por não serem encaminhadas para reciclagem.
Ao separares corretamente as tuas embalagens:
- estás a reduzir o envio de resíduos para aterro;
- a aumentar a taxa de circularidade (ou seja, a reutilização dos materiais como nova matéria-prima para reentrar na economia);
- e a ajudar o País a cumprir as metas europeias de reciclagem de embalagens: chegar aos 65% em 2025 e 70% em 2030.
Inovação ao serviço da reciclagem de embalagens
A Sociedade Ponto Verde tem vindo a apostar na inovação e na colaboração para tornar o sistema mais eficiente, através de projetos como o Re-Source, que une startups, investigadores e empresas para criar soluções concretas, ou o Ponto Verde LAB, uma plataforma específica e agregadora para medidas de prevenção na gestão de resíduos que dá conhecimento e inovação nos processos, nos mecanismos e nos resultados.
A campanha “Estamos a chegar ao Ponto” da Ponto Verde, lançada em 2025, reflete precisamente esta visão: aproximar os cidadãos da causa da reciclagem de embalagens, lembrando que 7 em cada 10 portugueses separam as embalagens, mas desses apenas 1 o faz corretamente.
Portugal está num ponto de viragem, a transição para uma economia circular exige inovação e compromisso coletivo.




