A reciclagem de embalagens em Portugal enfrenta desafios diferentes consoante a região. Se nos grandes centros urbanos a proximidade entre infraestruturas de ecopontos e população facilita a recolha seletiva, em territórios de baixa densidade populacional a realidade é outra. Ainda assim, há sinais positivos que mostram que, com colaboração e compromisso, é possível fazer a diferença.
Foi precisamente para conhecer de perto essa realidade que a Sociedade Ponto Verde (SPV) esteve no Baixo Alentejo, numa visita à Resialentejo, entidade responsável pela gestão de resíduos urbanos em oito concelhos da região.
Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa são os municípios servidos pela Resialentejo. Num território vasto, com cerca de 86 mil habitantes distribuídos por mais de 6.600 km², a gestão de resíduos e a promoção da reciclagem exigem respostas adaptadas às características locais.
A dispersão populacional, as longas distâncias e os custos operacionais associados à recolha seletiva tornam o cumprimento das metas nacionais e europeias particularmente desafiante. No entanto, os resultados alcançados demonstram que o esforço conjunto está a produzir efeitos.
Resultados que merecem destaque
Em 2025, a Resialentejo encaminhou 6.645 toneladas de embalagens para reciclagem. Mais recentemente, no primeiro trimestre de 2026, registou-se um crescimento de 47% nas quantidades enviadas para reciclagem face ao mesmo período do ano anterior.
Estes números refletem o trabalho desenvolvido no terreno por municípios, operadores, parceiros locais e cidadãos, evidenciando a importância de uma atuação articulada para aumentar a circularidade das embalagens e reduzir o desperdício de recursos.
Mais do que indicadores estatísticos, estes resultados representam um sinal encorajador de que é possível aumentar os níveis de reciclagem mesmo em contextos particularmente exigentes.
Para a Sociedade Ponto Verde, este encontro marcou também o início de um roteiro nacional que pretende dar visibilidade às diferentes realidades do país, destacando boas práticas, desafios e oportunidades de melhoria no cumprimento das metas de reciclagem.
Porque a realidade da reciclagem não é igual em todo o território, compreender as especificidades de cada região é fundamental para desenvolver soluções mais eficazes e ajustadas às necessidades locais.
Mais investimento exige mais resultados
Nos últimos anos, o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) tem vindo a beneficiar de um reforço significativo de investimento. A implementação dos novos valores de contrapartida, assegurados por entidades gestoras como a SPV aos sistemas municipais e concessionários, permitiu um incremento na capacidade financeira do setor superior a 90 milhões de euros em 2025. Este reforço elevou o financiamento global para 212 milhões de euros nesse período, estimando-se um acréscimo adicional de 25 milhões em 2026, o que totalizará um investimento de 237 milhões de euros no sistema em dois anos.
Contudo, a experiência demonstra que o aumento do investimento, por si só, não garante melhores resultados. A transformação acontece quando a aplicação dos recursos financeiros disponíveis é acompanhada por planeamento, eficiência operacional, inovação e uma melhoria contínua do serviço prestado aos cidadãos, e geram resultados mensuráveis.
É por isso que a reciclagem de embalagens continua a exigir uma abordagem integrada, que passa pela melhoria da recolha seletiva, pelo reforço da triagem, pela utilização de dados para apoiar decisões e pela mobilização de toda a sociedade.
Rede Recicla + : acelerar a reciclagem de vidro
A visita permitiu ainda destacar o trabalho desenvolvido através do Rede Recicla+, o programa de financiamento da SPV destinado a ações de comunicação, sensibilização e educação de Sistemas Integrados de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU), Municípios e Empresas Municipais.
Esta iniciativa tem como objetivo acelerar a reciclagem de embalagens de vidro através da implementação de ações específicas adaptadas às necessidades dos diferentes territórios e de setores específicos, como o canal HORECA, onde são geradas quantidades muito significativas destes resíduos. Projetos como este demonstram que as soluções mais eficazes são frequentemente aquelas que conseguem combinar objetivos nacionais com respostas desenhadas à escala local.




