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ROUPAS COM MUITAS VIDAS DIFERENTES
Roupas com muitas vidas diferentes
2016-07-29
Roupas com muitas vidas diferentes

O que lhe parece a ideia de “alugar” temporariamente o uniforme que usa para trabalhar? E de o devolver para reciclagem quando já não for necessário? Se isto é possível? Pode acreditar que sim. Se este será o futuro da indústria têxtil? Rien Otto acredita vivamente no conceito, por mais absurdo que possa parecer. “Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela.” Para este visionário holandês, esta célebre frase de Albert Einstein descreve na perfeição a jornada da Dutch Awearness, a primeira empresa têxtil a criar uma cadeia de fornecimento circular ao desenhar vestuário profissional reutilizável. Face à atual realidade da indústria deste setor, compreende-se que seja difícil acreditar nesta ideia. Mas, afinal, como é que uma pequena empresa na Holanda consegue contrariar a tendência atual da fast fashion?


Do esboço à marca


Para contar a história da Dutch Awearness, fundada em 2012, temos mesmo de começar pelo primeiro passo, quando Rien Otto – um designer que trabalhou quase duas décadas para marcas de luxo, como Prada e Dolce & Gabbana – olhou para a indústria têxtil de uma forma mais consciente. O ponto de viragem ocorreu numa viagem a África, no início dos anos 90, com o objetivo de construir uma escola para um projeto de ajuda humanitária. Tal ambição não foi possível, pois o local onde deveria nascer a escola estava cheio de resíduos têxteis oriundos da Europa. Naquele momento, Rien Otto percebeu que não queria mais ser parte do problema, mas sim parte da solução. Iniciou então uma outra viagem, que iria modificar-lhe a vida. A procura por soluções sustentáveis para a indústria têxtil passou a ser a sua principal inspiração. E querer mudar o mundo, a sua ambição.


A diferença está no desempenho


Logo à partida, os produtos da Dutch Awearness são projetados para a “reencarnação”, ou seja, são baseados no seu desempenho. Por isso a marca apresenta um nível de design e personalização mais elevado do que o habitual nesta indústria. Vestuário de alta visibilidade (retrorrefletor), vestuário de proteção, fatos mais formais (dress code empresarial) e até vestuário especializado  para o setor da saúde são algumas das ofertas em catálogo. Os clientes compram a performance da sua roupa e, quando esta já não for funcional, poderá ser devolvida, para ser novamente submetida a um processo de reciclagem e reutilização.


Do ponto de vista do negócio, o lucro é obtido através da reutilização das matérias-primas. Além disso, geram-se novas cadeias de abastecimento circular no setor têxtil. Para Rien Otto, esta economia circular é bastante simples de explicar: 20% dizem respeito ao produto e 80% referem-se às parcerias empresariais. Para o ambiente, também é o melhor. Não há desperdício, mas sim produção e consumo responsáveis. Uma das inovações mais ecológicas da marca é o vestuário de trabalho da gama Infinity, já que só na produção desse tecido (100% poliéster) é possível reduzir em 50% o consumo de água e reduzir 20% as emissões de CO2.


Cadeia de fornecimento eficiente


Mesmo enumerando todas estas vantagens, foi fácil a entrada no mercado? O fundador da empresa assume que não, mas explica que a melhor solução foi criar parcerias com marcas de vestuário profissional, em vez de competir diretamente com elas. A Dutch Awearness começou por ser uma empresa com apenas dois colaboradores. Agora emprega sete e conta com 15 mil pessoas a trabalhar na sua cadeia de fornecimento. Holanda, Portugal, Polónia, Áustria, Tunísia, Alemanha, Itália e Coreia do Sul são alguns dos países onde são fabricados os produtos da marca. A operação com o grupo português Latino faz parte do projeto piloto EcoProFabrics, promovido pela União Europeia.

 

O fundador da Dutch Awearness não tem dúvidas de que o mundo enfrentará nos próximos anos um enorme desafio: cada vez mais pessoas no Planeta, com necessidades de consumo crescentes. A economia circular surge aqui como uma solução a este problema. De acordo com Rien Otto, esta será a resposta para salvar os recursos do Planeta. Em vez de comprarem novos produtos, as pessoas “alugam” esses mesmos produtos e depois devolvem-nos para reciclagem. Esta é a visão da Dutch Awearness. A ambição de Rien Otto: a crença de que um dia a economia circular irá tornar-se moda. Também em Portugal.

 

PORTUGAL NA MIRA DE RIEN OTTO


O fundador e administrador da Dutch Awearness tem em perspetiva um maior desafio para Portugal: a criação de um circuito fechado, o qual inclua trituração das roupas, produção das novas fibras e do fio, tecelagem e produção de novas roupas. Na sua opinião, o nosso país passará a ocupar um lugar de destaque no mercado têxtil na Europa e no mundo após tantos anos de história neste setor, com profissionais experientes, conhecimento e infraestruturas subaproveitadas. Assim que a União Europeia e o Governo português deem luz verde, o projeto avança.

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