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TORRES VEDRAS, CAPITAL DA ECONOMIA VERDE
Torres Vedras, capital da economia verde
2017-04-20
Torres Vedras, capital da economia verde

Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Torres Vedras resolveu fazer da máxima de Lavoisier uma prática e transformou três antigas escolas em incubadoras de negócios ligados à sustentabilidade e à economia verde. Nasceu em 2016, chama-se EcoCampus e conta já com mais de uma dezena de entidades, entre start-ups ligadas à aquaponia e à construção sustentável, passando por outras ligadas à produção alternativa de energia e ecoturismo. A ideia é “agarrar no melhor que Torres Vedras possui e desenvolver e transformar este conceito num pilar de transformação económica para a economia verde”, lê-se na página do projeto, que se compromete em construir a primeira e a mais ambiciosa Plataforma de Empreendedorismo para a Economia Verde 4.0 nacional no seu território.

 

Tudo começou com a distinção, em 2015, do município com o galardão European Green Leaf, atribuído pela Comissão Europeia, e que destaca o grande esforço no sentido de alcançar melhores resultados ambientais, sobretudo no que concerne à estratégia de mobilidade, ao esforço de preservação da biodiversidade e à gestão da água e ainda pela procura ativa de disseminação de uma consciência ambiental entre os cidadãos.

 

“O que quisemos fazer foi transformar este prémio numa coisa palpável e com expressão empresarial”, explicou Rui Miguel Coelho, diretor da EcoCampus, um projeto cujo exemplo começa de dentro para fora, com o aproveitamento do património que já existe. A ideia é “reutilizar património e voltar a dar-lhe vida”, revelou. “Antes de fazer coisas novas, é importante reaproveitar recursos, para tornar a economia mais sustentável.” E foi assim que se lembraram de dar uso a escolas que estavam há anos sem uso. “Algumas há mais de 20 anos”, precisou.

 

Mas vai muito para além disso, com a criação de condições privilegiadas para que surjam mais e melhores empresas que se especializem na economia verde, comprometendo-se com o “desenvolvimento do empreendedorismo, a modernização e melhoria de condições na área empresarial e a difusão de conhecimento na área das ciências empresariais, em ordem a apoiar a comunidade, as empresas e os empresários na resposta aos desafios da sociedade contemporânea”.



Custo zero durante um ano 

 

Durante o primeiro ano, os empreendedores que se queiram instalar não têm quaisquer custos de utilização das instalações e de comunicações e dispõem de ajuda técnica na criação do modelo de negócio, na elaboração de candidaturas a financiamento comunitário ou ainda na angariação de investimento para o seu negócio, além de formações com o envolvimento de universidades.

 

Neste momento, os três eco-spots – as escolas que estavam ao abandono e foram recicladas por um gabinete de arquitetura local – já estão lotados com 14 entidades, que vão de empresas a associações empresariais, passando também por agências pró-ambiente. E como é que todas são selecionadas? “Têm de provar que têm na sua génese a sustentabilidade”, elucidou o diretor. “Não é uma coisa restritiva, poderá ter a ver com boas práticas da própria empresa, com aquilo que ela produz, ou até uma entidade ou organismo que queira melhorar nessa área e venha ao nosso encontro”, afirmou.

 

Neste momento, o primeiro objetivo está mais do que conseguido. “Quisemos fazer desta bandeira e daquilo que são as nossas boas práticas um polo de atração para Torres Vedras. Os nossos players não são apenas de Torres Vedras, o que mostra que este projeto e o município são atrativos para quem tem preocupações nesta área.”

 

Rui Miguel Coelho afirma que já está a estudar novos espaços para instalação de mais empresas ligadas à economia sustentável e circular. “Em fevereiro haverá mais novidades ao nível dos espaços, das parcerias com universidades e polos de investigação que são referências nacionais e internacionais”, prometeu.

 

Para já, a notícia de que o maior festival de sustentabilidade do país já foi seduzido pelo Oeste. O GreenFest vai ter lugar em Torres Vedras, em 2017, depois de nove edições no Estoril. Pedro Norton de Matos, o mentor do festival, é embaixador do EcoCampus.
 

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